Posts filed under 'Artigos'
Artigo: Ele tomou sobre si todo o juízo.
Por Stan Lukin
O relato da tentação é imediatamente posterior ao batismo, não houve nenhum intervalo entre a glória do batismo de Cristo e a dureza da tentação.
Nessa narração, fica claro que o episódio é prova e preparo para quem fora chamado a executar uma obra que ninguém mais poderia executar. Jesus encontra-se com Satanás, sob circunstâncias adversas, como mostra a narrativa, e o vence, estabelecendo o tom do conflito do Senhor contra os poderes demoníacos prevalecente pelo resto do livro. O propósito dessa batalha espiritual era para que Jesus não apenas tivesse a natureza humana, mas também a experiência humana. O propósito era que Ele fosse não apenas o nosso modelo, mas o nosso refúgio e consolador (Hb.2:17-18;4:15).
As tentações de Jesus devem ser entendidas ao pé da letra. Elas não foram batalhas simuladas, mas reais. Refletem, provavelmente, não tanto incerteza de mente, quanto testes da vontade. As certezas que temos da sua verdadeira humanidade e da sua origem divina, em ponto nenhum expõem como fáceis as escolhas feitas por Jesus. Ele suportou a cruz; não a desejou. Não apreciou o seu cálice, mas o bebeu.
Jesus ficou só, e só Ele levou a carga do pecado da humanidade, só Ele viu e aceitou tudo o que acarretava ser o Servo Sofredor. Ficou sem companhia humana durante as tentações no deserto por quarenta dias e quarenta noites, podemos crer firmemente que durante todo esse tempo, Jesus sempre cultivou a comunhão com o Pai.
As tentações no deserto foram fortes assaltos contra Jesus, eram para alvos imediatos que, pelo menos em parte, representavam necessidades humanas válidas. Mas Jesus, que podia oferecer apenas uma porta estreita e um caminho apertado para os seus seguidores (Mt.7:13-14), não podia escolher um caminho fácil para si mesmo. Nesse episódio, sem dúvida alguma, Ele descobriu que a essência da tentação está profundamente arraigada no coração humano e é ali que ela precisa ser confrontada e vencida.
Nós somos tentados por nossa cobiça (Tg.1:14). Quando Satanás sussurra em nossos ouvidos uma tentação, um desejo interior nos aguça a dar ouvido a essa tentação. A cobiça, dessa forma, nos atrai e seduz e nos leva a cair na tentação. Com Cristo não aconteceu assim, pois o incentivo interior ao mal, ou o desejo para cooperar com a voz tentadora, não existia. A tentação de Jesus não precedia de Deus, porque Ele a ninguém tenta, nem procedia de dentro dele, porque Jesus não tinha pecado pessoal. O Espírito Santo conduziu Jesus ao deserto para ser tentado, porque o deserto da prova seria transformado no campo da vitória.
A fome que Jesus sofre é a ocasião para a primeira tentação, nota-se que o Diabo começa por sugerir uma dúvida quanto a sua filiação e o incitou a dar prova de sua divindade, tentando Jesus a manipular o poder de Deus. Jesus retrucou com uma referência à lição que Deus havia ensinado a Israel no deserto (Dt.8:3). Jesus se recusou a cometer o pecado que outrora Israel cometera. Ele não cessava de depender do amoroso cuidado de Deus para suprir o de que necessitava (Lc.12:22-31). Da mesma forma, Ele também não subordinaria o seu interesse primordial para com o reino de Deus às necessidades físicas e secundárias da vida.
Jesus disse que um filho de Deus precisa depender sempre da sua palavra criativa e sustentadora para preencher as mais profundas necessidades da sua existência, com a certeza de que todas as outras coisas também lhe serão providas (Mt.6:33). Ou seja, sua resposta para todas as tentações veio de passagens da Bíblia. Aquilo que não concorda com as Escrituras não vem de Deus.
O cenário da segunda tentação é o Templo em Jerusalém, centro da vida religiosa judaica, onde multidões de adoradores passageiras, fervorosas e patrióticas se apinhavam nos dias de festa.Era o lugar ideal para uma demonstração dramática e sensacional de poder messiânico (Jo.7:2). Uma manobra como essa serviria para iniciar a libertação de Jerusalém e o restabelecimento da dinastia davídica.
O desafio é se baseia na mesma coisa em que a primeira tentação: “Se tu és Filho de Deus”, Ele é até justificado, com o texto de salmos prova (91:11-12), ou seja, Satanás tenta a Jesus se achar tão imprescindível ao evangelho que todo os céus estariam a sua mercê , sendo, então, intocável.
Jesus resiste à sugestão de que devia tentar a Deus, isto é, submetê-lo a um teste. Submeter-se a esse tipo de tentação, não importa quão piedosas sejam as racionalizações, resulta em forçar a Deus, colocá-lo contra a parede e levá-lo a agir em termo diferente ao dele. Este foi o pecado pelo qual os filhos de Israel foram culpados (Ex. 17:2), sendo advertidos por Moisés a não repetir (Dt.6:16). As palavras de advertência constituem a resposta de Jesus à tentação: as únicas atitudes apropriada ao filho de Deus é de fé confiante e espera paciente Nele.
A terceira tentação ilustra uma tensão de maiores proporções na vida de Jesus. Satanás oferece a Jesus o governo do mundo, exigindo como preço que Jesus o adore. Mais uma vez Jesus responde com uma citação bíblica (Dt.6:16). Ele servira apenas a Deus, o que significa traduzido em estilo de vida, que trilhará o caminho de sofrimento redentor e rejeitará o caminho que parece oferecer aceitação popular sucesso. Em sentido convencional e poderio temporal, Jesus rejeitou esse atalho para glória e poder.
As tentações no deserto eram uma só, a tentação de confiar ou duvidar da primeira parte da mensagem dita pela voz celestial à hora de seu batismo ao ponto de poder evitar o caminho traçado para Ele na Segunda parte da mesma. Em Jesus, que era o Filho inteiramente obediente a Deus, devia ser visto tudo o que a raça humana devia ser de forma perfeita, mas que nunca havia sido por causa de sua desobediência. Porém como afirma o autor da epístola aos hebreus, “Ele aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu (Hb.5:8); e as tentações vencidas no deserto tiveram grande parte responsabilidade naquele aprendizado.”
Jesus tinha somente um princípio, um ponto de vista, uma vontade, a saber, corresponder em tudo o que Deus esperava. É significativo que as tentações vieram após o batismo de Jesus. Por ocasião do seu batismo, os céus se abriram, o Espírito Santo desceu, e uma voz foi ouvida, para declará-lo o amado Filho de Deus, em que Ele se comprazia. Um momento mais elevado de exaltação dificilmente pode ser imaginado. Os assaltos contra a sua vontade logo se seguiriam. Os momentos de grande visão e exaltação são precisamente aqueles em que a pessoa está mais sujeita a tais atalhos.
A vida, quanto mais alto estiver ligada à potencialidade para a verdade e o bem, mais aberta ficará para a tentação. É indicado que Jesus, no limiar do seu ministério, foi compelido a escolher a estrada que devia trilhar, contra os seus impulsos pessoais e contra as expectativas populares, mas em obediência à vontade de Deus.
Stan Lukin é seminarista, cursa o Bacharelado em Teologia na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e é membro da Primeira Igreja Batista em São Paulo.
Add comment 20 Junho, 2008